A Borboleta

A Alice gosta de borboleta, ela se lembrou disso recentemente. Tem várias referências sobre a borboleta durante a adolescência. Tem uns desenhos, uns anéis. Ela achou essas coisas, me mostrou. Doideira. Isso faz tanto tempo. Não é que esqueceu, ela parou de dar importância. Ficou muito cética, né? Ai parou de prestar atenção. Você sabia que tem um rolê que chama viés de confirmação?! Quando você quer acreditar em uma coisa, você começa a achar justificativas. Tipo assim, acontece um evento que você acredita que tem uma motivação específica. Ai você começa a ignorar todas as vezes que o evento não acontece e se lembra só de quando ele acontece, ai fica parecendo que está acontecendo o tempo todo, mas não está, é só você que está usando o viés de confirmação. Tipo a Alice vendo borboleta em qualquer lugar. Tipo quando você se apaixona e começa a ver Palio antigo cor de grafite na cidade inteira. 20 anos que o carro não existe mais, mas agora todo muito tem a porra do carro. (Oh, desculpe, a deselegância, ai, o palavrão!) Não é que todo mundo tem, é você que está prestando atenção nisso, agora. Tirando a estória da borboleta tatuada na batata da perna do baterista que essa ai é demais... ai você pede pra Alice contar depois, porque essa é de foder. Não dá para ter ceticismo demais também, porque viés de confirmação, não justifica não. Borboleta. Eu heim? Agora tudo é essa metamorfose. Ainda bem que acabou, vai sair voando agora, essa porra. (Eita, desculpa hoje estou informal demais. Linguem escrita né? Tinha que ser, assim, assado... Foda-se, também) Pois é, essa etapa acabou, você vai ver outras coisas agora. Vamos ver se ai essa coisa de borboleta dá um tempo. Enchi o saco já. A Alice, né?! Alice encheu o saco já. Novos ventos, agora... bora sair voando!

Fotografia Original de Ana Paula Rabelo
Na foto: Alice




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