A fresta

Alice agora observa o céu pelo faixo de luz. É tipo uma fresta. Mas não é fresta porque é uma telha de vidro transparente no telhado da varanda. Ow, fresta é uma palavra muito engraçada. Se você repetir várias vezes você começa a confundir onde vai o s e onde vai o r, já reparou. Fresta, Festra. Ai ela fica olhando a luz. Por que eu falei vidro transparente? Não é óbvio? Às vezes o óbvio precisa ser dito, né? Não sei se é esse o caso. Quando não está nublado dá para ver direitinho o caminho do sol lá no céu. Só que aqui na luz, no chão. As plantas preferem, de modo geral. Alice está mais feliz agora. "Luz, quero luz, sei que além das cortinas são palcos azuis, infinitas cortinas com palcos atrás..." lembra dessa música. Certeza que senhor Hollanda estava na fresta da cortina do teatro, né? Também acho. Será que eles são parentes?! Ele e Alice?! Todo mundo pergunta. Mentira. Só meia dúzia de pessoas perguntaram. Ela nunca diz a verdade. E a verdade é que são primos, por escolha dele. Mas essa é outra estória, que não tem nada a ver com a telha que ela trocou, fica para outro dia. Ai, agora dá para ter plantas no quarto. Você sabia que é ótimo ter lírio e espada de são jorge no quarto. Você dorme melhor com elas. É telha de acrílico, não é de vidro, tinha esquecido. Lembrei, agora.

Fotografia Original de Ana Paula Rabelo
Na Foto: Alice




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