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Vento - A comunicação

Foto do escritor: Alice de Holanda
Alice de Holanda
18 de set. de 2020
2 min de leitura

2a semana

Como me comunico com o mundo 


A perspectiva sobre as coisas é o que nos indica se estamos indo bem ou não em um projeto. Ver o copo meio cheio é um grande clichê, mas também é neurolinguagem. Quando eu digo em voz alta as coisas numa perspectiva positiva, quando eu busco ver o lado positivo das coisas, eu foco no aprendizado, lembra do desapego? 

Isso não significa que conseguimos fazer isso o tempo todo. Tem dias que são terríveis que só queremos deitar em posição fetal, ouvir Legião Urbana e chorar. Tudo bem, a vida é feita desses dias também. Mas se estamos emocionalmente saudáveis, aqueles não são todos os dias. A escassez do nosso olhar também faz o mundo parecer mais escasso! 

O capitalismo se apoia na condição humana de temer a escassez (já que isso pode significar deixar de existir num sentido bem profundo e biológico da coisa!) e cria o tempo todo em nós a sensação de que tudo é escasso, então temos que querer mais e sentir que falta. E nós repetimos isso para nós mesmas o tempo todo. Dizemos para o mundo e para nós mesmas que falta, que não fizemos, que o plano não era esse (lembra do desapego?!) esquecemos de olhar para a mesma coisa, o mesmo fato, o mesmo fenômeno e pensar: olha como essa planta cresceu, olha como esse projeto já começou, olha como essa relação já contribuiu para meu crescimento. Tudo, absolutamente tudo tem um lado positivo e um lado negativo, porque nada é simples, as coisas são complexas. Comer legumes orgânicos da sua própria horta é maravilhoso para sua saúde, e também toma tempo de aprender a cultivar legumes, tempo de plantio e manutenção de plantas, pressupõe conseguir quem fique na sua casa cuidando das hortaliças quando você viajar. Se ao invés de olharmos para dificuldade de encontrar uma amiga que venha regar as plantinhas diariamente nas férias, e olhamos para o benefício de comer comida orgânica, o peso da dificuldade deixa de existir, ou ao menos diminui muito. E esse padrão de comunicação com o mundo faz a escassez acabar. Sim, acabar! Não é fácil mudar o padrão de percepção das coisas, nem tampouco nossa forma de comunicar isso para o mundo, talvez essa seja uma das coisas mais difíceis da vida. Mas quando conseguimos mudar esse processo se rompe. E nossa visão sobre as

coisas começa a ficar mais positiva e abundante. Olha tudo isso que você já fez?! Olha que alegria ter chegado a esse ponto?! Olha que alívio ter conseguido esse projeto?! Sente, sente... não é mais leve?! 

Também sinto mais leve, já! 

Propor uma linguagem mais positiva sobre as coisas não significa menosprezar a dificuldade, nem tampouco achar que é tudo um jardim de flores com crianças brincando e bolhas de sabão para os cãezinhos correrem atrás. As flores atraem insetos, criança quando brinca grita muito alto, cachorro empolgado morde tudo, rasga a canga, pula na nossa cara.  Mas é talvez uma boa escolha de estilo de vida dar ênfase às bolhas de sabão e não ao latido estridente e irritante do cãozinho. Ver as coisas vivas e não a morte eminente pode fazer com que seja mais possível lidar com o caos da vida e os percalços inevitáveis. 


 
 
 

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